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Sua origem remonta ao princípio do século XIX, quando suas terras foram doadas através do sistema de sesmaria ao concessionário capitão Antônio Luiz do Santos, e sua mulher D. Luiza Maria Angélica, a terceira filha do lendário Capitão Ignácio de Souza Werneck, patriarca do clã mais importante do período cafeeiro no Vale do Paraíba.
Esta união deu origem ao ramo Santos Werneck, que vão estender seus domínios na região de Massambará, no município de Vassouras e no distrito de Bemposta, município de Três Rios.
Pelo que consta, o solar de São Francisco foi construído em 1831, na primeira fase do café no Vale do Paraíba e, com pouco tempo de lavoura, tornou-se uma das mais prósperas de Vassouras. Tudo isso facilitado pela abertura da importante e pioneira estrada do Comércio em 1816, que cortou as fazendas dos irmãos Santos Werneck, de ponta a ponta, trazendo lhes grandes vantagens no transporte de café para os portos da baixada e posteriormente aos do Rio de Janeiro e finalmente Europa. Por esta mesma estrada, virão os primeiros requintes da Corte do Rio de Janeiro, transformando as sedes das fazendas cafeeiras em verdadeiros palácios rurais, que nada deviam às residências mais luxuosas da Capital do recém criado império brasileiro.
Influenciado pela arquitetura mineira do século XVIII, o solar de São Francisco vai receber uma "maquiagem” neoclássica, estilo este introduzido no Brasil em 1816, pela Missão Artística Francesa, que virá influenciar toda a arquitetura do Vale do Paraíba na fase mais rica do café. A presença do neoclássico no solar pode ser notada nas marcações dos cunhais, nos capitéis, cimalhas, sobrevergas e caixilhos trabalhados.
Em meados do século XIX, quando a produção de café no Vale do Paraíba atinge seu apogeu, São Francisco é uma das mais ricas do vale do ribeirão Florência, produzindo, além do café, cereais que, em alguns casos, abasteciam fazendas vizinhas. Trabalhavam em seus cafezais cerca de 110 escravos, em um número aproximado de 280 mil pés de café, como podemos observar em inventários da fazenda.
Esse histórico patrimônio foi adquirido em 1988, por Simone Marques Coimbra Pio da Fonseca, já com o nome de Mulungú Vermelho. |
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